O fim das costureiras está próximo?

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De vez em quando compramos peças que precisam de ajustes; um botão solto, uma bainha, um aperto aqui, outro ali e ninguém mais adequado para reformar roupas que uma costureira. 

A costura é uma prática muito antiga; para se ter uma ideia os primeiros registros de instrumentos usados como agulhas (que eram feitos de ossos e marfim) datam de mais de 30 mil anos. 

Mas a figura da costureira que faz roupas sob medida e que reforma peças parece estar com os dias contados. Isso porque grandes confecções de roupas possuem maquinários cujas peças são produzidas em larga escala. E, esse processo rápido e eficaz, diminui o tempo de fabricação das peças e por isso as confecções conseguem vendê-las com um preço mais baixo que as costureiras convencionais.

A equipe da Delta Bordados conversou com a costureira Jalma Boaventura que fez a sua primeira peça de roupa em 1965.

Nascida e criada em Quintinos uma cidade que fica no Alto Paranaíba em MG, percebeu ainda na infância que havia talento para a costura ao fazer roupinhas para suas bonecas. Sua avó, sua mãe e suas tias eram costureiras e ela acabou aprendendo a profissão. Aos sete anos de idade mudou-se para a cidade de Tiros, também em Minas Gerais e já aos 12 anos fez sua primeira peça de roupa. Era uma camisa branca de manga comprida para um cliente de sua mãe.

Em pouco tempo foi montando sua própria clientela. A costureira nos contou que pessoas de várias cidades, inclusive de Belo Horizonte levavam malas cheias de tecidos para ela costurar. Em 1997 mudou-se para a cidade Betim-MG, onde ainda atua como costureira.

Ao perguntarmos sobre o futuro desta profissão, Jalma afirmou que as jovens estão mais interessadas em fazer cursos de nível superior e que muitas almejam trabalhar em escritórios. As poucas jovens que mostram interesse na costura aprendem as técnicas para fazer roupas somente para si mesmas.

Aquela imagem da costureira que faz reformas e roupas sob medida para sua clientela está cada dia mais distante da realidade, ainda mais porque há muitas lojas que vendem roupas com preço super baixo. Ela salienta que hoje em dia é muito fácil encontrar lojas com peças com valor máximo de R$10,00 cada.

Enquanto uma roupa na loja custa R$10,00, uma costureira pode cobrar pela mesma peça até 3 vezes mais. Isso porque o trabalho é mais artesanal, mais lento e se gasta muito mais tempo para fazer a peça que em uma confecção com máquinas industriais. Sem contar que o tecido, ao ser comprado em maior quantidade, tem seu preço reduzido.

Jalma finalizou seu depoimento dizendo que atualmente não dá para sobreviver de costura e salienta que a tendência é que haja cada vez menos costureiras e que fica triste com isso já que veio de uma família que encontrou na costura sua fonte de renda. 

E você? Diga-nos sua opinião sobre o futuro da costura. Será o fim das costureiras? 

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